sábado, 19 de fevereiro de 2022

Acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo.

205 Orígenes começa a escrever 

Em seus primeiros dias, o cristianismo foi criticado como uma religião de pobres e iletrados, pois, na verdade, muitos dos fiéis vinham das classes mais humildes. 

Como Paulo escreveu, na igreja “poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento” (I Co 1.26).

No século ni, porém, o maior intelectual da época era cristão. Pagãos, hereges e cristãos admiravam Orígenes. 

Sua instrução e conhecimento vastos contribuíram muito para o futuro da cultura cristã.

Orígenes nasceu em Alexandria, por volta do ano 185, filho de pais cristãos devotos. 

Por volta do ano 201, seu pai, Leónidas, foi preso durante a perseguição de Septénio Severo. 

Orígenes escreveu ao pai, que estava na prisão, e o encorajou a não negar a Cristo por amor à família. 

Embora Orígenes quisesse se entregar às autoridades e sofrer o martírio com pai, sua mãe escondeu suas roupas e impediu esse ato zeloso, mas tolo.

Depois do martírio de Leónidas, sua propriedade foi confiscada e sua viúva foi deixada com sete filhos. 

Orígenes tomou as providências para sustentá-los, ensinando literatura grega e copiando manuscritos. 

Uma vez que muitos dos estudiosos mais idosos fugiram para Alexandria na época da perseguição, a escola catequética cristã tinha grande necessidade de professores. 

Aos dezoito anos, Orígenes tornou-se presidente da escola

e deu início à sua longa carreira de professor, estudioso e escritor.

Praticava a ascese, passava grande parte das noites em estudo e em oração, dormia no chão duro, nos poucos momentos em que realmente conciliava o sono. 

Seguia o mandamento de Jesus, pois tinha apenas uma capa e não possuía sapatos. 

Chegou até mesmo a seguir literalmente Mateus 19.12: ele se castrou como defesa contra as tentações carnais. 

O maior desejo de Orígenes era ser fiel à igreja e honrar o nome de Cristo.

Como escritor extremamente prolífico, Orígenes foi capaz de manter sete secretários ocupados com seus ditados. 

Ele produziu cerca de duas mil obras, incluindo comentários sobre quase todos os livros da Bíblia, além de centenas de homílias. 

A obra Héxapla foi uma façanha da crítica textual, pois tentou encontrar a melhor versão grega do Antigo Testamento. 

Em seis colunas paralelas, era possível observar o A.T. em hebraico, uma transliteração para o grego, três traduções em grego e a Septuaginta. 

A obra Contra Celso foi um dos mais importantes trabalhos apologéticos do cristianismo, pois o defendeu dos ataques pagãos. 

A obra De principiis [Sobre os princípios] foi a primeira tentativa de criar uma teologia sistemática. 

Nela, Orígenes examina cuidadosamente as crenças cristãs referentes a Deus, a Cristo e ao Espírito Santo, bem como assuntos referentes à Criação, à alma, ao livre-arbítrio, à salvação e às Escrituras.

Orígenes foi, em grande parte, responsável pelo estabelecimento da interpretação alegórica das Escrituras, que dominaria a Idade Média. 

Acreditava que em todo o texto existiam três níveis de significado: o literal, o moral (que servia para edificar a alma) e o alegórico ou espiritual, considerado oculto é o mais importante para a fé cristã. 

O próprio Orígenes desprezou o significado literal e o histórico-gramatical do texto, enfatizando o significado alegórico mais profundo.

Orígenes tentou relacionar o cristianismo à ciência e à filosofia de seus dias. 

Acreditava que a filosofia grega era a preparação para a compreensão das Escrituras e usava a analogia, mais tarde adotada por Agostinho, de que os cristãos “despojaram os egípcios”, quando usaram a riqueza do conhecimento pagão na causa cristã (Êx 12. 35,36).

Ao aceitar os ensinamentos da filosofia grega, Orígenes adotou muitas ideias platônicas, estranhas ao cristianismo ortodoxo. 

A maioria de seus erros era causada pela pressuposição grega de que a matéria e o mundo material são intrinsecamente maus. 

Acreditava na existência da alma antes do nascimento e ensinava que a posição de alguém no mundo era consequência de sua conduta em um estado preexistente. 

Negava a ressurreição física e advogava que, no final de tudo, Deus salvaria todos os homens e todos os anjos. 

Uma vez que Deus não podia criar o mundo material sem entrar em contato com a matéria básica, o Filho foi eternamente gerado pelo Pai que, por sua vez, criou o mundo eterno. 

Segundo ele, foi somente a humanidade de Jesus que morreu na cruz, como pagamento feito ao Diabo em resgate pelo mundo.

Devido a equívocos como esses, o bispo Demétrio de Alexandria convocou o concilio que excomungou Orígenes. 

Embora Roma e a igreja ocidental tivessem aceitado a excomunhão, a igreja da Palestina e a maior parte do Oriente não a aceitaram. 

Eles continuaram consultando Orígenes devido à sabedoria, à erudição e ao conhecimento que ele possuía.

Durante a perseguição promovida por Décio, Orígenes foi preso, torturado e condenado a morrer em uma estaca. 

Somente a morte do imperador impediu que a sentença fosse executada. 

Com a saúde debilitada devido à provação, Orígenes morreu por volta do ano 251. 

Ele fez mais do que qualquer outra pessoa para promover a causa da erudição cristã e para fazer com que a igreja fosse respeitada aos olhos do mundo. 

Os pais da igreja posteriores a ele, tanto do Oriente quanto do Ocidente, sentiram sua influência. 

A diversidade de seu pensamento e de seus escritos lhe rendeu a reputação de ser o pai da ortodoxia, bem como das heresias.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo!.

Irineu se torna bispo de Lião (177)

Até mesmo quanto às heresias, “não há nada novo debaixo do sol” (Ec 1.9). 

Os falsos ensinamentos que surgiram dentro e em torno da igreja permanecem basicamente os mesmos.

Em vez de se voltar para a obra expiatória de Cristo, muitos buscam salvar a si mesmos pela descoberta de algum conhecimento secreto. 

Isso surgiu na igreja primitiva por meio de um conjunto de heresias chamado de gnosticismo (gnosis é uma palavra grega que significa “conhecimento”). 

Aparentemente, já existia uma forma de gnosticismo antes da fundação da igreja. 

João desfechou um golpe contra esse falso ensinamento, quando escreveu sua primeira carta. 
Contudo, essa doutrina ainda continuou a exercer influência no século o.

Sabemos pouco sobre Irineu, o homem que se opôs ao gnosticismo na segunda metade do século n. Nasceu, provavelmente, na Asia Menor, por volta do ano 125. 

Em virtude do intenso comércio entre a Ásia Menor e a Gália, os cristãos puderam levar a fé àquela região, onde foi estabelecida uma igreja vigorosa em sua cidade principal, Lião.

Enquanto serviu como presbítero em Lião, Irineu viveu de acordo com seu nome, que significa “pacífico”, viajando até Roma para pedir indulgência aos montanhistas da Ásia Menor. 

Durante essa missão, a perseguição cresceu em Lião, e o bispo daquela cidade foi martirizado.

Irineu o sucedeu como bispo em seu lugar e descobriu que o gnosticismo conseguira algumas conversões na Gália. 

Essa doutrina se espalhou facilmente, porque os gnósticos usavam termos cristãos, embora tivessem interpretações radicalmente diferentes dessas expressões. 

A fusão dos termos cristãos com os conceitos da filosofia grega e das religiões asiáticas era atraente aos que queriam acreditar que poderiam salvar a si mesmos, sem depender da graça do Pai todo-poderoso.

Irineu estudou as várias formas de gnosticismo. Embora variassem grandemente, os ensinamentos mais comuns eram os seguintes: o mundo físico é mau; o mundo foi criado e é governado por poderes angelicais, e não por Deus; Deus está distante e não está realmente ligado a este mundo; a salvação pode ser alcançada pelo aprendizado de alguns ensinamentos secretos especiais. 

As pessoas espirituais — ou seja, os próprios seguidores do gnosticismo — são superiores aos cristãos comuns. 

Os mestres do gnosticismo sustentavam essas idéias valendo-se dos evangelhos gnósticos volumes que normalmente tomavam emprestado o nome de um apóstolo e retratavam Jesus Cristo ensinando doutrinas gnósticas.

Quando o bispo de Lião finalmente tomou conhecimento dessa heresia, escreveu a obra denominada Contra as heresias, um enorme trabalho no qual buscava revelar a tolice do “falso conhecimento”. 

Valendo-se tanto do Antigo Testamento quanto do Novo, Irineu mostrou que o Deus amoroso criou o mundo, que se corrompeu por causa do do pecado humano. 

Adão, o primeiro homem inocente, tornou-se pecador ao ceder à tentação. 

Porém, sua queda foi desfeita — rematada — pela obra do segundo homem inocente, Cristo, o novo Adão. 

O corpo não é mau, e, no último dia, o corpo e a alma dos crentes ressuscitarão; viverão para sempre com Deus.

Irineu compreendia que o gnosticismo se valia do desejo humano de conhecer algo que os outros não conheciam. 

Com relação aos gnósticos, escreveu:
 
“Tão logo um homem é convencido a aceitar a forma da salvação deles [dos gnósticos], se torna tão orgulhoso com o conceito e a importância de si mesmo, que passa a andar como se fosse um pavão”. 

Porém, os cristãos deveriam humildemente aceitar a graça de Deus, e não se envolver em exercícios intelectuais que levavam à vaidade.

Durante toda a sua vida, Irineu recordou com alegria o fato de ter sido próximo de Policarpo, que conhecera pessoalmente o apóstolo João. 

Desse modo, talvez não seja surpreendente o fato de Irineu apelar para a autoridade dos apóstolos, quando desaprovou as afirmações do gnosticismo. 

O bispo destacou que os apóstolos ensinaram em público, e não guardaram segredo sobre nenhum dos ensinamentos que receberam do Mestre. 

Por todo o império, as igrejas concordavam sobre certos ensinamentos que vieram dos apóstolos de Cristo e que apenas esses ensinamentos formavam os fundamentos de sua crença. 

Ao declarar que os bispos, os sucessores dos apóstolos, eram os guardiães da fé, Irineu aumentou o respeito dispensado aos bispos.

Na obra Contra as heresias, Irineu apresentou o padrão para a teologia da igreja: toda a verdade que precisamos está na Bíblia. 

Ele também provou ser o maior teólogo desde o apóstolo Paulo. 

Suas discussões amplamente divulgadas foram um golpe mortal para o gnosticismo em sua época.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo!


C.196 Tertuliano começa a escrever livros cristãos!


Tertuliano começa a escrever livros cristãos

“O sangue dos mártires é a semente da igreja.”

“É certo por ser impossível.” “O que Atenas e Jerusalém têm em comum?”

Frases mordazes como essas eram típicas das obras de Quinto Septénio Florente Tertuliano — ou simplesmente Tertuliano. 

Nativo de Cartago, foi criado em um lar de cultura paga e educado nos clássicos da literatura, na arte de discursar e em Direito. 

Por volta do ano 196, quando voltou seu poderoso intelecto para os tópicos cristãos, Tertuliano mudou o caráter do pensamento e da literatura da igreja ocidental.

Até esse ponto, a maioria dos escritores cristãos usava o grego — uma língua flexível e sutil, perfeita para filosofar e para discutir ninharias. 

Os cristãos de fala grega geralmente aplicavam a propensão filosófica à sua fé.

Embora Tertuliano, um africano, soubesse grego, preferia escrever em latim. Suas obras refletem a inclinação romana para a praticidade e para enfatizar a moral. 

Esse influente advogado atraiu muitos outros escritores para sua língua favorita.

Enquanto os cristãos gregos discutiam a divindade de Cristo e sua relação com o Pai, Tertuliano buscava unificar a fé e esclarecer a posição ortodoxa. 

Em função disso, criou uma fórmula bastante útil que é usada ainda hoje: Deus é uma única substância, consistindo em três pessoas.

Ao introduzir a fórmula o que se tornou a doutrina da Trindade, Tertuliano extraiu sua terminologia não dos filósofos, mas dos tribunais romanos. 

A palavra latina substantiva não significava “material”, mas carregava a idéia de “direito à propriedade”. 

A substantiva de Deus era o seu “torrão”, por assim dizer. 

A palavra persona não significava “pessoa”, do modo como usamos a palavra. 

Ela se referia a uma das partes na ação legal. 

Conforme esse uso, o termo permite que seja concebível que três personae pudessem compartilhar a mesma substantiva. 

Três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) compartilham uma substância (a soberania divina).

Embora Tertuliano tivesse perguntado “o que Atenas [a filosofia] e Jerusalém [a igreja] têm em comum?”, a filosofia estoica, bastante popular em sua época, causou grande influência na vida de Tertuliano. 

Alguns dizem que a idéia do pecado original passou do estoicismo para Tertuliano e depois para a igreja ocidental. 

Tertuliano parece ter pensado que, de alguma maneira, a alma era material: assim como o corpo é formado pela concepção, o mesmo acontece com a alma. 

O pecado de Adão é passado adiante como um traço genético.

A igreja ocidental passou a defender essa idéia, mas isso não aconteceu com a igreja do oriental (que assumiu visão mais otimista da natureza humana).

Por volta do ano 206, Tertuliano deixou a igreja para se juntar aos montanistas, grupo de “puristas” que reagiu contra o que consideravam uma frouxidão moral entre os cristãos. 

Eles esperavam que a Segunda Vinda acontecesse logo e passaram a ressaltar a liderança imediata do Espírito Santo, e não a do clero ordenado.

Embora Tertuliano tivesse começado a enfatizar a idéia da sucessão apostólica — a passagem do poder e da autoridade apostólica aos bispos —, ficou perturbado pela afirmação dos bispos de que tinham poder para perdoar pecados. 

Ele acreditava que isso levaria à frouxidão moral, assim como afirmou que isso se tratava de grande presunção por parte dos bispos. 

Além do mais, pensava, não seriam todos os crentes sacerdotes? 

Seria a igreja formada por santos que dirigiam a si mesmos ou uma turba de santos e pecadores administrados por uma “classe” profissional, o clero?

Tertuliano lutava contra forças poderosas. 

Por mais de 1 200 anos, o clero teria um lugar especial. 

Somente depois de Martinho Lutero ter desafiado a igreja é que “o sacerdócio de todos os crentes” foi defendido outra vez.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

ACONTECIMENTO MAIS IMPORTANTE DA HISTORIA DO CRISTIANISMO - JUSTINO MATER ESCREVE SUA APOLOGIA(C.150)

Justino Mártir escreve sua Apologia (C. 150)


O jovem filósofo caminhava junto à costa, sua mente estava agitada, sempre ativa, buscando novas verdades. 

Ele estudara os ensinamentos dos estoicos, de Aristóteles e de Pitágoras; e, naquele momento, era adepto do platonismo, que prometera uma visão de Deus aos que sondassem a verdade com profundidade suficiente. 

Era isso que o filósofo Justino queria.

Enquanto caminhava, encontrou-se com um cristão, já idoso. 

Justino ficou perplexo diante de sua dignidade e humildade. 

O homem citou várias profecias judaicas, mostrando que o caminho cristão era realmente verdadeiro. 

Jesus era a verdadeira expressão de Deus.

Esse encontro ocasionou grande mudança na vida de Justino. 

Debruçado sobre aqueles escritos proféticos, lendo os evangelhos e as cartas de Paulo, ele se tornou um cristão dedicado. 

Assim, nos últimos trinta anos de sua vida, viajou, evangelizou e escreveu. 

Desempenhou um papel muito importante no desenvolvimento da teologia da igreja, assim como da compreensão que a igreja tinha de si mesma e da imagem que apresentava ao mundo.

Praticamente desde o início, a igreja funcionou em dois mundos: o judeu e o gentío. 

O livro de Atos dos Apóstolos registra o lento e, às vezes, doloroso desabrochar do cristianismo no mundo gentío. 

Pedro e Estêvão pregaram aos ouvintes judeus, e Paulo falou aos filósofos atenienses e aos governadores romanos.

A vida de Justino apresenta muitos paralelos com a vida de Paulo. 

O apóstolo era um judeu nascido em área gentia (Tarso); Justino era um gentio nascido em área judaica (a antiga Siquém). 

Eles tinham boa formação e usavam o dom da argumentação para convencer judeus e gentíos da verdade de Cristo. 

Os dois foram martirizados em Roma em razão de sua fé.

Durante os reinados dos imperadores do século I, por exemplo, Nero e Domiciano, a igreja se esforçava sobreviver, para continuar sua tradição e para mostrar ao mundo o amor de Jesus Cristo. 

Os não-cristãos viam o cristianismo como uma seita primitiva, uma ramificação do judaismo caracterizada por ensinamentos e práticas estranhas.

Em meados do século II, sob o comando de imperadores mais razoáveis como Trajano, Antonino Pio e Marco Aurélio, a igreja teve uma nova preocupação: explicar o motivo de sua existência para o mundo de maneira convincente. 

Justino se tornou um dos primeiros apologistas cristãos, ou seja, um dos que explicavam a fé como sistema racional. 

Com escritores que surgiriam mais tarde — como Orígenes e Tertuliano —, ele interpretou o cristianismo em termos que seriam familiares aos gregos e aos romanos instruídos de seus dias.

A maior obra de Justino, a Apologia, foi endereçada ao imperador Antonino Pio (a palavra grega apologia refere-se à lógica na qual as crenças de uma pessoa são baseadas). 

Enquanto Justino explicava e defendia sua fé, ele discutia com as autoridades romanas por que considerava errado perseguir os cristãos. 

De acordo com seu pensamento, as autoridades deveriam unir forças com os cristãos na exposição da falsidade dos sistemas pagãos.

Para Justino, toda verdade era verdade de Deus. 

Os grandes filósofos gregos haviam sido inspirados por Deus até certo ponto, mas permaneciam cegos com relação à plenitude da verdade de Cristo. 

Desse modo, Justino trabalhou livremente com o pensamento grego, explicando Cristo como seu cumprimento. 

Ele se aproveitou do princípio apresentado pelo apóstolo João, no qual Cristo é o Logos, a Palavra. 

Deus Pai era santo e separado da humanidade maligna, e Justino concordava com Platão nesse aspecto. 

Porém, por intermédio de Cristo, seu Logos, Deus pôde alcançar os seres humanos. 

Como o Logos de Deus, Cristo era parte da essência de Deus, embora separado, do mesmo modo que uma chama se acende a partir de outra (é por isso que o pensamento de Justino foi fundamental no desenvolvimento da consciência da igreja com relação à Trindade e à encarnação).

Contudo, Justino tinha uma linha de pensamento judia que caminhava com suas inclinações gregas. 

Era fascinado pelas profecias já cumpridas. 

Ε possível que isso tenha nascido no encontro com o idoso à beira-mar. Porém, ele percebeu que a profecia hebraica confirmou a identidade singular de Jesus Cristo. 

Como Paulo, Justino não abandonou os judeus à medida que se aproximava dos gregos. 

Em Diálogo com Trifão, outra grande obra, ele escreve a um judeu, um conhecido dele, apresentando Cristo como cumprimento da tradição hebraica.

Além de escrever, Justino viajou bastante, sempre argumentando a favor da fé. 

Ele se encontrou com Trifão em Êfeso. 

Em Roma, encontrou-se com Marcião, o líder gnóstico. 

Em outra ocasião, durante uma viagem a Roma, Justino se indispôs com um homem chamado Crescendo, o Cínico. 

Quando Justino retornou a Roma, por volta do ano 165, Crescendo o denunciou às autoridades. 
Justino foi preso, torturado e decapitado, com outros seis crentes.

Justino escreveu certa vez: “Vocês podem nos matar, mas não podem nos causar dano verdadeiro”. 
O apologista apegou-se a essa convicção até a morte. 

Ao fazer isso, recebeu o nome que passaria a usar por toda a história: Justino Mártir.